terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tom de pele - mistura de tintas

Sempre que eu vou pintar um novo garage kit (figura de anime ou mangá) eu apanho na hora de fazer o tom de pele. E a pior coisa que pode acontecer é quando ocorre de ficar muito puxado para o rosa, amarelo ou laranja. Embora existam infinitos tons de pele na vida real, por algum  motivo aquele que mais agrada aos olhos (no caso de uma pessoa caucasiana) é aquele que teoricamente fica em algum ponto ente o bege e o rosa.


Mas uma coisa é você saber disso, outra coisa é você conseguir obter essa tonalidade. Os fabricantes de tinta para modelismo (sejam elas acrílicas, esmalte ou laca) oferecem algumas opções de cor nomeadas como skin, flesh, etc, e que deveriam resolver o problema do modelista na hora da pintura da pele.

No entanto, se você tentar utilizar qualquer uma dessas cores diretamente como são fornecidas irá se decepcionar com o resultado pois inevitavelmente irão resultar em um acabamento excessivamente artificial.

Minha preferência de tintas são os esmaltes sintéticos (enamel) devido a facilidade de diluição e utilização no aerógrafo e também pela excelente resistência mecânica ao temível descascamento da pintura durante a remoção das fitas de mascaramento.

Assim, fui comprando e adicionando à minha coleção de tintas, alguns tons de pele das marcas Humbrol, Testors e recentemente da Revell, mas, como já mencionei acima não dá para apontar para um deles e dizer: é esse!

Durante minhas incursões alquimísticas, consegui uma certa combinação que me satisfez bastante. Obviamente continuarei perseguindo outras alternativas e combinações, mas essa em específico que obtive em um kit que estou fazendo no momento, me trouxe uma certa segurança para os trabalhos futuros.

Para o trabalho da pintura da pele da boneca utilizei quatro tintas diferentes:

Revell Flesh Matt 32135
Humbrol Satin White 130
Testors Flat Light Tan 1170
Testors Flat Tan 1167

PRIMEIRO PASSO - BASE

A base será pintada com a seguinte mistura (ou proporcional):

12 gotas Revell Skin Matt 35
8 gotas Humbrol Satin White 130
8 gotas Aguarraz

Essa mistura funcionará como primer durante o processo de correção da superfície da pele da boneca com massa putty e será a base da cor da pele.

SEGUNDO PASSO - SOMBREAMENTO

O sombreamento deverá ser feito com Testors Flat Light Tan 1170 diluído em aguarrás à 50% nas regiões de dobras do corpo e nas regiões onde o corpo se junta com calcinha, sutiã, pulseiras, etc.

TERCEIRO PASSO - APLICAÇÃO FINAL

A aplicação final deverá ser feita com Testors Flat Tan 1167 diluído em aguarrás à 50% em todo o modelo indiscriminadamente, mas não aplicando como um banho geral, e sim, como passadas específicas sobre todo o corpo, mas aplicando mais ou menos em alguns locais do que em outros com o objetivo de dar a tonalidade geral final.

O resultado foi esse:


:-)

domingo, 2 de novembro de 2014

Garota sexy de bicicleta

Ah... peguei os tarados de plantão!!! Pensaram que tinha sacanagem aqui não é? Mas não é nada disso, meus caros, é apenas mais um projeto que eu estou iniciando, e que irá juntar três coisas que eu adoro: modelismo, bicicletas e garotas sexy (oops... Drika, você não leu isso, tá?!?!?). Rs...

Mas falando sério agora, o projeto pretende ser um diorama composto por dois kits: um garage-kit de resina de uma garota sexy da e2046 e uma bike da Academy, ambas na escala 1:8.

Eu estou com três garage-kits em andamento na bancada (outras garotas), mas estava tão fissurado nesses projeto que resolvi começar antes de acabar os outros. Rs... enfim, vocês modelistas sabem bem como é isso!

Hoje vou fazer apenas a apresentação dos modelos. Primeiro a bike da Academy, que permite duas versões -- speed (de corrida) ou bicicleta de passeio:



As instruções:



O sprue ainda dentro do saquinho com as partes da carroceria da bike:



Aqui as partes cromadas, pneus e cabos:



Agora aquela que será a "dona" da bicicleta e que também pode ser feita em versões diferentes: com os braços para cima ou para baixo. E em relação à roupa, a parte de cima pode ser com blusa ou topless e a parte de baixo com saia ou de biquini.



Aqui a caixa com o kit:



Aqui algumas das partes que permitem as conversões:


Decidi fazê-la com os bracinhos para baixo e sem blusa. Para que o modelo final não fique ofensivo, farei a parte de cima do biquini dela para tapar os seios em tecido. Abaixo um dry-run do modelo:

Frente...



E verso...



Comecei devagarzinho e não fiz muita coisa pois sentei em frente à bancada de trabalho quando já era quase 1 da manhã enquanto minha esposa navegava no iPad. A primeiro tarefa foi preparar os aros. Como em toda roda de kit veio separado em duas metades, que foram coladas com o uso de Jet (Argh!!!! Odeio!!!). Como os aros vieram moldados em plástico recoberto de uma camada imitando alumínio a primeira coisa que o Jet fez foi dissolver parte da cobertura. Também como tinha algum 'flash' nas peças, ao raspar com o estilete acabou removendo mais da cobertura, o que torna inevitável uma pintura.

Roda de trás...



Roda da frente...


Aproveitei e retirei dos [i]sprues [/i]algumas peças cromadas que irei utilizar. Essas vou deixar do jeito que estão pois estão legais. No máximo vou dar um retoque mínimo de pincel nos locais onde as peças estavam presas nas árvores:



Por hora é isso!

:-)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Construindo uma guitarra - Parte 4

Não fiz muita coisa recentemente porque estou de 'resguardo'. Há exatamente três semanas fiz uma colecistectomia (retirada da vesícula) e o médico ainda não me deu alta completa, que só ocorre depois de 30 dias. Até lá não posso fazer esforços físicos, levantar peso, etc, portanto nem tenho passado na frente da porta da minha oficina.

Os últimos progressos que eu tinha feito antes da operação foi cortar o encaixe do braço no corpo da guitarra e tirei algumas fotos de como ficou. Primeiro o corpo com o encaixe ao lado do braço e da escala:


E aqui algumas fotos do conjunto todo:






E aqui as ferragens (hardware) que eu pretendo utilizar nessa guitarra...


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Construindo uma Gibson SG (réplica)

Eu sempre quis ter uma guitarra Gibson. Mas o fato é que elas custam muito caro no Brasil e eu não vejo justificativa em gastar 4 ou 5 mil Reais do meu dinheiro suado em uma guitarra só por causa de um nome escrito no headstock. Se eu ainda fosse um excelente guitarrista e tocasse todos os dias poderia ter uma mínima desculpa para fazer isso, mas não é o caso: sou um guitarrista eventual e bem abaixo do que se chamaria de medíocre.

Outro motivo para NÃO comprar uma guitarra Gibson é que verdade seja dita, os seus instrumentos novos não são tão grande coisa assim. Seja como for, eu tinha dito a mim mesmo que daqui por diante não compraria nunca mais nenhuma guitarra, e qualquer uma que fosse entrar na minha coleção seria a partir das minhas próprias mãos. Então por que não construir uma réplica?

Conheço alguns luthiers amadores que já fizeram suas próprias réplicas de Gibson, mas em geral o modelo escolhido é a Les Paul 59. No entanto, como não me sinto ainda a altura de partir para um projeto dessa grandeza, decidi ir por um caminho mais modesto e fazer uma SG. Além do mais tenho um certo carinho por esse modelo pois a primeira guitarra decente que eu tive, há uns 30 anos atrás, foi justamente uma Finch modelo SG que acabei vendendo para um amigo. Seja como for, como me falta uma SG na coleção...

Basicamente ela terá uma pintura vintage sunburst feita a partir de anilina aerografada sobre a madeira e depois coberta com algumas camadas de nitrocelulose e finamente polida. Os captadores serão dois P90. Eu espero conseguir atingir algo próximo da guitarra abaixo:


Uma "pegadinha" que eu pretendo inserir na minha construção é que o braço será parafusado e não colado, o que a tornará uma réplica facilmente identificável por qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da marca, já que a Gibson não faz guitarras com braço parafusado. O motivo de eu querer fazê-lo parafusado e não colado é porque eu já tenho um braço pronto que pretendo aproveitar e o mesmo é para ser parafusado.

Pois bem, comecei o trabalho a partir de um pedaço de prancha de cedro rosa (Spanish Cedar) que, apesar do nome, não é cedro mas sim um tipo de mogno. O corte do corpo foi simples mas a parte dos desbastes laterais (bevels) foi um pouco difícil principalmente porque eu nunca tinha feito esse tipo de corpo antes.


Em seguida eu trabalhei um pouco no braço. Esse foi muito fácil porque ele já estava pronto e foi comprado no eBay de um vendedor da China, e é esse aqui:


Há um tempo atrás eu tinha adquirido um logotipo da Gibson em acrílico, então eu escavei o headstock da guitarra, encaixei o logotipo no lugar, colei com cola epóxi preta e lixei tudo. Em seguida pintei o headstock todo de preto fosco com o aerógrafo e ficou assim:



E aqui uma foto do corpo e do braço juntos só pra ter uma idéia de como vai ficar:


Finalmente uma parte das peças que irei utilizar para a montagem. Ainda estou esperando chegar pelo correio os captadores Wilkinson P90 e o toggle switch para selecionar os captadores...


EDITADO

Eu tinha mencionado que todas as guitarras Gibson possuem braço colado (set-in) e que nunca existiu nenhuma Gibson com braço parafusado (bolt-on). Na realidade eu cometi um engano, pois não sabia até alguns dias atrás que existem sim, alguns modelos com essa característica de construção. Em 1979 houve um modelo denominado GK-55 baseado na Les Paul 1955 o qual teve uma produção bastante limitada (apenas 1000 guitarras foram produzidas). Em 1981 também, a Gibson lançou um modelo denominado 'Les Paul Artist' que igualmente vinha com o braço parafusado e que também não durou muito tempo. Finalmente existem ainda os modelos Marauder, Sonex e Invader. Acredito que tenham sido tentativas da empresa em competir no mercado de modelos populares, e é possível que existam ainda outros modelos não muito conhecidos e que fazem parte da família Gibson.

Aqui uma foto da Gibson GK-55...


A Gibson Les Paul Artist...


A Gibson Marauder...


A Gibson Sonex...


A Gibson Invader...


PS: Antes que alguém sequer pense nisso não vale mencionar as guitarras Epiphone, pois uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Embora a empresa Epiphone pertença à Gibson tratam-se de 'animais' totalmente diferentes. ;-)

Construindo uma guitarra - Parte 3

Comecei então a trabalhar na escala, que é a parte mais trabalhosa do braço já que possui muitos detalhes e pequenas etapas. Primeiro a escala tem que ser cortada no tamanho e reduzida à espessura de 7mm. Então tem que receber a curvatura (radius) na parte superior:


Existem várias formas de dar essa curvatura. Pode ser usando um taco côncavo com uma lixa, o que é muito demorado. Eu fiz usando uma tupia juntamente com um jig que eu mesmo fiz para essa finalidade. Dependendo do estilo de guitarra que se está fazendo a curvatura da escala é diferente. Como essa é baseada em uma guitarra Gibson o ângulo de curvatura é de 12 polegadas. Depois de removida a maior parte do material na tupia, o acabamento foi dado usando lixa com um taco côncavo.

Feito isso, passei ao trabalho dos inlays, que são as marcações de madrepérola que serão incrustadas na madeira. Abaixo todos os inlays já cortados, inclusive o nome da guitarra que será incrustado no headstock:



Em seguida, os encaixes para as incrustações e para os trastes foram cortados cuidadosamente com estilete, formão e uma serra apropriada:


Depois de aplicadas no lugar as incrustações e instalados os trastes, a escala ficou assim:




Construindo uma guitarra - Parte 2

A próxima etapa da construção é o braço da guitarra. A princípio eu tinha adquirido um braço pronto no eBay pois achava que seria muito difícil fazer um -- já que existem muitos detalhes -- mas acabei me enchendo de coragem e decidi enfrentar esse desafio. Assim, o braço pronto que eu tinha comprado ficou para um outro projeto que está em andamento, que será uma réplica de uma Gibson SG, e que, em breve publicarei também.

Enfim... comecei o braço a partir de um pedaço de Muiracatiara, uma madeira brasileira muito dura normalmente utilizada para fazer portões, testeiras de telhados, móveis, etc. Além de ser uma madeira nobre ela é notadamente resistente à umidade o que a torna bastante estável e desejável para um braço de guitarra. Iniciei fazendo um corte transversal em 14 graus para formar a curvatura do braço para o headstock e colei as duas partes em um giro reverso:


Até o momento isso ainda era apenas um pedaço de pau. Então tratei de dar forma ao headstock e ao braço propriamente dito:


Logo em seguida cortei o canal do tensor e instalei o mesmo no lugar:


O tensor é uma barra de aço que pode ser flexionada mediante o aperto da 'bala', que é a parte cromada no pé da foto. Girando a bala com uma chave Allen para a esquerda ou para a direita faz-se com que a barra flexione para cima ou para baixo vergando a madeira do braço junto com ela. Assim é possível fazer a compensação de empenos causados por mudança de umidade e também pela tensão das cordas quando for necessário, mantendo assim o braço sempre reto e alinhado.

Construindo uma guitarra - Parte 1

Há algum tempo atrás comecei a mexer com marcenaria. Já tinha feito algumas tentativas ao longo da vida com não muito sucesso, mas quando chegou a hora de iniciar o acabamento da minha casa nova eu tive que me dedicar a isso mais seriamente a fim de economizar algum dinheiro fazendo a maior parte do trabalho de madeira eu mesmo.

É claro que para isso eu tive que fazer algum investimento em ferramentas, e depois de algum tempo acabei ficando com uma bela oficina de marcenaria. Ao finalizar os acabamentos da casa, me entusiasmei em fazer a mobília também, o que me fez adquirir mais segurança para tentar projetos um pouco mais ousados.

Como sempre gostei de tirar uns sons de guitarra, não demorou muito para que eu tivesse a ideia de começar a construir as minhas próprias para dar um gás na minha pequena coleção.

Para meu primeiro projeto pensei em algo simples que fosse fácil de realizar mas que ao mesmo tempo representasse uma boa adição para minha coleção, então pensei em construir isso:


O corpo é o de uma Les Paul mas com tampo plano, interior escavado (semi-acústica) e apenas um captador estilo P90 na posição do braço, um modelo que eu batizei de 'Jazz Paul'.

O primeiro passo foi cortar e escavar o corpo em um pedaço de prancha de Marupá, resultando nisso:



Em seguida cortei um tampo com aproximadamente 8mm em cedrinho, fiz os cortes para a ressonância e colei no corpo:


Finalmente, o resultado ficou assim... nada mau para quem nunca tinha feito antes:


Por enquanto é só... logo logo tem mais!

:)