Na primeira parte desse artigo nós falamos sobre algumas vantagens e características da tinta enamel para o modelista. Nessa segunda e última parte, farei um breve comparativo entre as marcas mais conhecidas e disponíveis no mercado que eu tive a oportunidade de experimentar.
Basicamente, e como eu já havia mencionado, uma das maiores vantagens no uso do enamel é que, diferentemente de outros tipos de tinta, ele irá se comportar da mesma forma independente de qual seja o fabricante. Em termos mais simples, isso significa que uma vez que você abra a lata ou o vidro de tinta, o que tem lá dentro, independente de ter sido fabricado pela Revell, Humbrol, Testors, Coral, Suvinil, Sherwin-Williams ou outra, deverá ser tratado do mesmo jeito: adicione aguarrás para fazer a diluição apropriada, derrame a mistura no copo do aerógrafo e pinte. Só isso. Parece tão simples que quase não dá para acreditar que seja verdade, eu sei, mas creia-me: é só isso mesmo.
Se é assim, por que então eu deveria me importar em escrever um comparativo entre os diferentes fabricantes disponíveis no mercado? Bem, o motivo é porque existem alguns pequenos detalhes não pertinentes às características do enamel em si que irão determinar quando você deve comprar uma marca ou outra, como por exemplo textura, acabamento, pigmentação, paleta de cores, etc.
TINTAS DE USO GERAL
As tintas enamel que aqui chamo de "uso geral" são aquelas vendidas em lojas de ferragem e casas de tinta e são normalmente usadas para pintura de metal e madeira. Atente para o detalhe que se você chegar em qualquer uma dessas lojas pedindo por "enamel" ninguém vai saber do que você está falando e vão dizer que não tem, pois elas são mais conhecidas como "esmalte sintético". Aliás, o termo enamel é como esse tipo de tinta é chamado em inglês, então o termo não é usual aqui no Brasil. O pessoal da velha guarda chama também essas tintas de "tinta a óleo" (e isso não tem nada a ver com as tintas a óleo usadas para pintura de quadros) sendo também esse um termo que está aos poucos caindo em desuso. Sendo assim, sua melhor opção na hora de pedir é mesmo "esmalte sintético". Dependendo da loja onde você for, irá encontrar um grande número de diferentes fabricantes nacionais, desde nomes completamente desconhecidos até fabricantes tradicionais como Coral (que fazem as famosas "Coralit"), Suvinil e outros.
A vantagem dessas tintas em relação às que são vendidas para os modelistas é o preço. Por serem direcionadas para uso geral, a menor lata de tinta da Coral, por exemplo, vem com 112,5ml (latinha pequena) e custa o equivalente a duas micro-latinhas de 14ml da Humbrol (algo em torno de R$ 15). Mas por que essa diferença toda? Será que o enamel da Humbrol é assim tão melhor? De jeito nenhum. É só uma questão de marketing: pegue um produto genérico, coloque-o em uma embalagem especializada e você pode cobrar muito mais por ele. Tudo o que é direcionado para um hobby específico será automaticamente mais dispendioso.
Então você já deve estar achando que é a maior burrice do mundo comprar tintas enamel de marcas para modelismo já que é tudo igual, certo? Bem, a sua linha de pensamento está correta só que a coisa não é tão simples assim. O primeiro motivo pelo qual não dá para usar só esmalte sintético de casa de ferragens é que você não vai encontrar esses esmaltes com acabamento fosco: todos são brilhantes. Bem, não todos todos. Você encontra o preto fosco e o branco acetinado (semi-brilho). Todo o resto é brilhante. Como 95% de tudo o que se pinta em modelismo possui acabamento fosco, isso já se torna um problema. Evidentemente que você pode usar tinta brilhante e depois aplicar um verniz fosco sobre o seu trabalho para reverter o processo, mas não fica a mesma coisa. Resumindo, os esmaltes sintéticos de uso geral ainda estão no páreo, desde que você esteja querendo cores brilhantes. Além, claro das já mencionadas preto fosco e branco acetinado.
O segundo motivo pelo qual os esmaltes sintéticos de uso geral podem não ser uma boa opção para quem monta modelos militares e é paranoico com a exatidão das cores. O catálogo de cores disponíveis para uso geral é bastante reduzido, e não possui cores especiais como "olive drab", "desert sand", etc. Assim a única forma de você obter esses tons a partir de tintas de uso geral é fazendo a sua própria "alquimia" através da mistura de cores diferentes. Apesar disso funcionar, é meio complicado quando você precisa repetir o mesmo tom para um retoque, por exemplo, pois nunca fica exatamente igual.
Outro motivo que deve ser levado em conta é a questão do armazenamento. Mesmo a menor lata encontrada no mercado (112,5ml) ainda é grande e ocupa um espaço considerável na estante do modelista. Junte-se a isso o fato de que mesmo essas latinhas já estão ficando difíceis de encontrar, e me parece que estão sendo gradativamente substituídas pela imediatamente maior (225ml) e que ocupam ainda mais espaço. Também a mim me incomoda saber que devido à pouca quantidade utilizada na pintura dos modelos quase sempre a tinta irá se estragar e ser jogada fora com a lata quase cheia.
Então você já sabe que pode (e até deve) usar esmalte sintético de loja de ferragens nos seus modelos, desde que observe as limitações citadas acima.
HUMBROL
Quando retornei ao Hobby a uns 8 anos atrás a Humbrol foi a marca de tinta que aderi por indicação de um colega modelista. De fabricação alemã, ela vem envasada em pequeninas latinhas de 14ml. Normalmente vêm em uma consistência bem mais grossa que suas concorrentes diretas o que a princípio parece ser uma vantagem pois com menos tinta e mais diluição obtém-se o mesmo resultado, o que irá significar que a pequena latinha durará mais tempo. No entanto, tenho notado que das últimas vezes que andei comprando a tinta veio excessivamente grossa, ao ponto de encontrar dificuldade em diluí-la. Não sei se isso é uma nova característica na fabricação da tinta ou se eram latas de estoque antigo dos distribuidores brasileiros que já estão começando a secar e a endurecer. Quando a mesma está na sua consistência correta (grossa "normal") a tinta é espetacular além do fato de ser encontrada nas lojas brasileiras de modelismo com facilidade e numa muito ampla gama de cores. No entanto, devido aos problemas que tive ultimamente (inclusive de entupimento do aerógrafo) meio que parei de comprar a mesma.
TESTORS & MODEL MASTER
Embora de nomes diferentes, são ambas do mesmo fabricante, ou seja, a Model Master é uma "sub-marca" da Testors. Basicamente a diferença mais evidente que você irá notar entre elas é a embalagem. Enquanto as tintas com o nome Testors vêm em vidrinhos quadrados de 7,4ml as da Model Masters vêm em vidros redondos de 14,7ml, ambas com tampa rosqueada de metal. O que eu mais gosto nas tintas da Testors são as cores metálicas, que na minha opinião são fantásticas. Além das básicas como ouro, prata, cobre, latão, alumínio, gun metal, etc, atualmente você encontra cores bem interessantes como azuis, vermelhos, verdes e até mesmo algumas com um efeito semelhante ao "candy" que são bem bacanas para pintar modelos de carros e figuras de garage kit. Eles fabricam ainda umas cores bem vibrantes e até fluorescentes, que novamente são excelentes para garage kits. Finalmente, as cores tradicionais básicas e especiais voltadas para militaria da marca são excepcionais. Elas vêm em uma consistência também um pouco grossa (como a Humbrol) e são facilmente diluíveis. Atualmente, se eu fosse indicar uma marca de tinta enamel como a minha favorita seriam a Testors e a Model Master.
REVELL
Só muito recentemente vim a experimentar as tintas enamel da Revell. Elas vêm em latinhas idênticas às da Humbrol com exatos 14ml de tinta, no entanto, diferente das citadas acima elas são bem mais ralas na sua consistência. Assim é preciso tomar um pouco de cuidado na hora de diluí-la para não colocar aguarrás demais. Aliás essa é uma das razões pelas quais normalmente eu não gosto de usar o método de "contar gotas" na hora de diluir enamel, pois devido à diferença de consistência encontrada em diferentes fabricantes a quantidade de aguarrás a ser usada varia de um para outro. Tinta excelente.
TAMIYA
O enamel da Tamiya eu infelizmente ainda não tive a oportunidade de testar, mas como já amplamente discutido acima não deve ser muito diferente das outras e provavelmente oferece um resultado excelente — não apenas pela similaridade existente entre todos os enamels do mercado como também pela tradição de confiabilidade que a Tamiya possui no mercado há tantos anos. Ele vem envasado em um vidro quadrado com tampa plástica e contendo 10ml de tinta. Eu não estou muito certo, mas suspeito que a Tamiya está descontinuando sua linha de tintas enamel para dedicar-se exclusivamente às tintas acrílicas. O motivo dessa desconfiança é porque eu não consegui encontrar os enamels na seção de tintas do site da Tamiya Internacional.
CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS
Acho difícil que um modelista consiga se manter fiel a uma única marca, especialmente em se tratando de enamels. E principalmente aqui no Brasil quando nem sempre você terá à sua disposição aquela tinta exata que você precisa da marca que você quer. Em relação a isso, fica então um alerta: preste atenção para o fato de que tintas que teoricamente deveriam ser idênticas não são. Por exemplo, o "olive drab" difere de uma marca para outra, sendo em alguns casos mais chegado para o marrom, em outros casos mais chegado para o cinza ou até para o verde. Também fique atento às diferenças de consistência para não errar a mão na hora de diluir. Outro motivo pelo qual não dá para ficar numa marca só é justamente porque certos tons de um fabricante agradam mais do que o mesmo tom de outro, como por exemplo o já citado "olive drab" e também os tons de pele (skin e flesh).
CONCLUSÃO
É isso. Espero que essa matéria tenha sido de boa utilidade para aqueles modelistas que sempre tiveram curiosidade em experimentar o esmalte sintético, ou na nossa linguagem de modelistas, o famoso enamel!
quarta-feira, 8 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Tintas enamel - Parte 1
INTRODUÇÃO
Quando comecei no modelismo há exatos 40 anos atrás não havia a variedade de insumos que se encontra nos dias atuais. A pintura, por exemplo, era um quesito totalmente opcional (especialmente para os moleques da minha idade) e não era incomum encontrar modelos "prontos" inclusive com decais aplicados e sem uma gota de tinta sequer. Eu mesmo tive uma coleção inteira de aviões da WW2 na escala 1/144 que nunca viram pintura.
Mas bastava a gente avançar um pouco na prática do modelismo para logo perceber que a tinta já não era algo assim tão dispensável. Apesar de eu não poder afirmar com certeza, tenho sérias suspeitas que já naquela época o pessoal lá de fora tinha à disposição as tintas acrílicas da Tamiya e outras em uma extensa paleta de cores e tons. Já no Brasil dos anos 70 a escassez era imensa e tudo que existia para nós modelistas tupiniquins era um estojinho mixuruca da Kikoler com alguns vidrinhos de tinta esmalte em cores básicas e que custava o olho da cara.
Novamente, enquanto os gringos se esbaldavam com os aerógrafos aqui a coisa andava no passo do pincel. Naquele tempo, aerógrafo no Brasil era ferramenta CARA de artista gráfico. Me lembro de ver aquele artefato curioso (e que eu não entendia ainda direito o que era) na vitrine da Casa Cruz no centro de Niterói. Vinha em um elegante estojo de madeira e custava o que seria hoje algo em torno de R$ 1000 ou mais.
DESCOBRINDO AS TINTAS
Mas a falta do acesso ao aerógrafo não diminuía em nada a diversão. E curiosamente, hoje, olhando para trás, a lembrança que eu tenho dos meus modelos pintados não é tão ruim assim. Mas voltando às tintas, sendo o brasileiro inventivo como é, não demorou muito para que alguns modelistas descobrissem que as famosas tintas "Coralit" — aquelas latinhas de tinta da Coral usada para pintar portão — tinham a mesmíssima performance que as Kikoler. É lógico, pois ambas são a mesmíssima coisa: tinta "enamel", ou como a gente conhecia por aqui, esmalte sintético. Ou ainda melhor, como a gente pedia na casa de ferragens, "tinta à óleo" (que não tem absolutamente nada a ver com tinta à óleo usada para pintar quadros).
O tempo passou, quatro décadas ficaram para trás (é... estou ficando velho...) e ainda hoje os esmaltes sintéticos continuam sendo os meus prediletos. Embora exista atualmente disponível no mercado um sem número de diferentes formulações de tintas acrílicas, lacas, automotivas e outras, ainda considero o enamel a melhor opção principalmente para o modelista que não pretende se tornar um expert em uma determinada tinta, o que, em geral, demanda uma curva de aprendizado longa e recheada de muita frustração.
O que quero dizer é que até o modelista mais inexperiente e iniciante consegue obter resultados impecáveis logo na primeira tentativa com o esmalte sintético, pois é uma tinta muto fácil de trabalhar e que não exige auxiliares ou técnicas especiais como as outras.
PROMOTOR DE ADERÊNCIA? NAH...
Vamos ver algumas vantagens do enamel em relação às outras tintas. Por exemplo, algo que eu gosto muito no enamel é a absoluta desnecessidade dos famosos "promotores de aderência". Se você pretende utilizar tintas como lacquer, duco, PU e a maioria da acrílicas saiba que antes de pensar em deitar uma gota de tinta sobre o seu modelo, terá que aplicar uma camada sobre o mesmo cuja função é tão somente impedir que a pintura descasque depois. O enamel não precisa disso pois agarra que nem o diabo em qualquer superfície, e é o que os americanos chamam de "bite" e aqui no Brasil chamamos de "mordedura" ou "ancoragem". Você vai querer utilizar uma tinta com uma boa mordedura, especialmente naqueles trabalhos em que você tem que aplicar uma fita de mascaramento para uma segunda camada de cor diferente sobre a anterior e vai entender bem o que eu estou falando na hora que for remover a fita: nas tintas com baixa ancoragem, pedaços da pintura são arrancados junto com a fita o que é MUITO frustrante. No enamel isso raramente vai acontecer.
FÁCIL SOLUBILIDADE
Outra vantagem do enamel é a flexibilidade do mesmo em relação ao solvente. Praticamente você pode usar QUALQUER aguarrás disponível no mercado e não terá problemas. Na verdade você pode até usar querosene! Já no caso das automotiva e lacas, que usam thinners, o problema é que thinner não é tudo a mesma coisa. Primeiro que a palavra "thinner" é um termo genérico para designar solvente. E segundo, que mesmo entre as automotivas e lacas, dependendo do fabricante o solvente (ou thinner) tem que ser específico significando que se você usar um que seja impróprio irá arruinar seu trabalho.
DILUIÇÃO INDULGENTE
Ainda falando sobre o solvente, em geral você tem que ser muito detalhista na hora se diluir a sua tinta para colocar no aerógrafo, ou seja, qualquer quantidade a mais ou a menos a performance da tinta vai para o espaço. Já com o enamel não: existe uma faixa relativamente larga para sua fluidez em que a tinta vai trabalhar bem, ou seja, mesmo estando um pouco mais grossa ou mais fina do que o ideal, ainda assim ela não vai lhe dar problemas.
LIMPEZA DO EQUIPAMENTO
Outra questão importante fica por conta da limpeza do seu aerógrafo. Com o uso do aguarrás, uma boa retro-lavagem com aguarrás e um cotonete embebido no mesmo, você faz o serviço de higienização com um pé nas costas e em menos de um minuto, deixando ele prontinho para a próxima sessão de pintura ou para voltar para o estojo. Eu tentei no passado utilizar tintas acrílicas e embora até tenha sido bem sucedido em ALGUMAS tentativas, algo que sempre me causou muitos problemas foi a quantidade de resíduo que as mesmas deixavam dentro do aerógrafo, por vezes grudando e travando o mecanismo todo e me obrigando a fazer uma desmontagem total do equipamento. Alguns tipos de tinta automotiva que utilizam catalisador na mistura podem ser ainda mais perigosas pois depois que secam nem o próprio thinner remove mais, o que significa que uma limpeza mal feita pode resultar na inutilização e perda definitiva do seu aerógrafo.
TOXIDADE
Finalmente, tem ainda a parte da toxicidade da tinta, especialmente se você pratica o modelismo com muita frequência. Tintas como lacquer e automotivas são bastante tóxicas (nesse quesito a acrílica é imbatível!) e o cheiro forte costuma empestar os ambientes. No caso do enamel, embora o aguarrás ainda tenha um cheiro um pouco forte e capaz de impregnar o local, o mesmo não é tão agressivo como os outros solventes e se desfaz de forma relativamente rápida. Também, existe um aguarrás com cheirinho de limão fabricado pela Acrilex chamado Ecosolv que melhora em muito essa situação. Pessoalmente eu não uso o Ecosolv (já usei, é bom e eu recomento) por causa do preço dele que é muito alto em relação aos aguarrás tradicional. Atualmente eu dou preferência ao fabricado pela Natrielli.
O QUE VEM POR AÍ
No segunda parte desse artigo, falaremos sobre as tintas enamel encontradas no mercado e farei um breve comparativo entre as marcas específicas existentes para modelismo como Humbrol, Revell, Testors e Model Masters, bem como também as "genéricas" que podem ser adquiridas em casas de ferragem ou loja de tinta da esquina.
Até!
sábado, 28 de março de 2015
Aerógrafo - pequeno guia de manutenção
Um pequeno guia de manutenção básica de aerógrafos dupla-ação que visa auxiliar na resolução de problemas corriqueiros. Baixem. Usem. Distribuam à vontade.
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terça-feira, 18 de novembro de 2014
Tom de pele - mistura de tintas
Sempre que eu vou pintar um novo garage kit (figura de anime ou mangá) eu apanho na hora de fazer o tom de pele. E a pior coisa que pode acontecer é quando ocorre de ficar muito puxado para o rosa, amarelo ou laranja. Embora existam infinitos tons de pele na vida real, por algum motivo aquele que mais agrada aos olhos (no caso de uma pessoa caucasiana) é aquele que teoricamente fica em algum ponto ente o bege e o rosa.
Mas uma coisa é você saber disso, outra coisa é você conseguir obter essa tonalidade. Os fabricantes de tinta para modelismo (sejam elas acrílicas, esmalte ou laca) oferecem algumas opções de cor nomeadas como skin, flesh, etc, e que deveriam resolver o problema do modelista na hora da pintura da pele.
No entanto, se você tentar utilizar qualquer uma dessas cores diretamente como são fornecidas irá se decepcionar com o resultado pois inevitavelmente irão resultar em um acabamento excessivamente artificial.
Minha preferência de tintas são os esmaltes sintéticos (enamel) devido a facilidade de diluição e utilização no aerógrafo e também pela excelente resistência mecânica ao temível descascamento da pintura durante a remoção das fitas de mascaramento.
Assim, fui comprando e adicionando à minha coleção de tintas, alguns tons de pele das marcas Humbrol, Testors e recentemente da Revell, mas, como já mencionei acima não dá para apontar para um deles e dizer: é esse!
Durante minhas incursões alquimísticas, consegui uma certa combinação que me satisfez bastante. Obviamente continuarei perseguindo outras alternativas e combinações, mas essa em específico que obtive em um kit que estou fazendo no momento, me trouxe uma certa segurança para os trabalhos futuros.
Para o trabalho da pintura da pele da boneca utilizei quatro tintas diferentes:
Revell Flesh Matt 32135
Humbrol Satin White 130
Testors Flat Light Tan 1170
Testors Flat Tan 1167
PRIMEIRO PASSO - BASE
A base será pintada com a seguinte mistura (ou proporcional):
12 gotas Revell Skin Matt 35
8 gotas Humbrol Satin White 130
8 gotas Aguarraz
Mas uma coisa é você saber disso, outra coisa é você conseguir obter essa tonalidade. Os fabricantes de tinta para modelismo (sejam elas acrílicas, esmalte ou laca) oferecem algumas opções de cor nomeadas como skin, flesh, etc, e que deveriam resolver o problema do modelista na hora da pintura da pele.
No entanto, se você tentar utilizar qualquer uma dessas cores diretamente como são fornecidas irá se decepcionar com o resultado pois inevitavelmente irão resultar em um acabamento excessivamente artificial.
Minha preferência de tintas são os esmaltes sintéticos (enamel) devido a facilidade de diluição e utilização no aerógrafo e também pela excelente resistência mecânica ao temível descascamento da pintura durante a remoção das fitas de mascaramento.
Assim, fui comprando e adicionando à minha coleção de tintas, alguns tons de pele das marcas Humbrol, Testors e recentemente da Revell, mas, como já mencionei acima não dá para apontar para um deles e dizer: é esse!
Durante minhas incursões alquimísticas, consegui uma certa combinação que me satisfez bastante. Obviamente continuarei perseguindo outras alternativas e combinações, mas essa em específico que obtive em um kit que estou fazendo no momento, me trouxe uma certa segurança para os trabalhos futuros.
Para o trabalho da pintura da pele da boneca utilizei quatro tintas diferentes:
Revell Flesh Matt 32135
Humbrol Satin White 130
Testors Flat Light Tan 1170
Testors Flat Tan 1167
PRIMEIRO PASSO - BASE
A base será pintada com a seguinte mistura (ou proporcional):
12 gotas Revell Skin Matt 35
8 gotas Humbrol Satin White 130
8 gotas Aguarraz
Essa mistura funcionará como primer durante o processo de correção da superfície da pele da boneca com massa putty e será a base da cor da pele.
SEGUNDO PASSO - SOMBREAMENTO
O sombreamento deverá ser feito com Testors Flat Light Tan 1170 diluído em aguarrás à 50% nas regiões de dobras do corpo e nas regiões onde o corpo se junta com calcinha, sutiã, pulseiras, etc.
TERCEIRO PASSO - APLICAÇÃO FINAL
A aplicação final deverá ser feita com Testors Flat Tan 1167 diluído em aguarrás à 50% em todo o modelo indiscriminadamente, mas não aplicando como um banho geral, e sim, como passadas específicas sobre todo o corpo, mas aplicando mais ou menos em alguns locais do que em outros com o objetivo de dar a tonalidade geral final.
O resultado foi esse:
O resultado foi esse:
:-)
domingo, 2 de novembro de 2014
Garota sexy de bicicleta
Ah... peguei os tarados de plantão!!! Pensaram que tinha sacanagem aqui não é? Mas não é nada disso, meus caros, é apenas mais um projeto que eu estou iniciando, e que irá juntar três coisas que eu adoro: modelismo, bicicletas e garotas sexy (oops... Drika, você não leu isso, tá?!?!?). Rs...
Mas falando sério agora, o projeto pretende ser um diorama composto por dois kits: um garage-kit de resina de uma garota sexy da e2046 e uma bike da Academy, ambas na escala 1:8.
Eu estou com três garage-kits em andamento na bancada (outras garotas), mas estava tão fissurado nesses projeto que resolvi começar antes de acabar os outros. Rs... enfim, vocês modelistas sabem bem como é isso!
Hoje vou fazer apenas a apresentação dos modelos. Primeiro a bike da Academy, que permite duas versões -- speed (de corrida) ou bicicleta de passeio:
As instruções:
O sprue ainda dentro do saquinho com as partes da carroceria da bike:
Aqui as partes cromadas, pneus e cabos:
Agora aquela que será a "dona" da bicicleta e que também pode ser feita em versões diferentes: com os braços para cima ou para baixo. E em relação à roupa, a parte de cima pode ser com blusa ou topless e a parte de baixo com saia ou de biquini.
Aqui a caixa com o kit:
Aqui algumas das partes que permitem as conversões:
Decidi fazê-la com os bracinhos para baixo e sem blusa. Para que o modelo final não fique ofensivo, farei a parte de cima do biquini dela para tapar os seios em tecido. Abaixo um dry-run do modelo:
Frente...
E verso...
Comecei devagarzinho e não fiz muita coisa pois sentei em frente à bancada de trabalho quando já era quase 1 da manhã enquanto minha esposa navegava no iPad. A primeiro tarefa foi preparar os aros. Como em toda roda de kit veio separado em duas metades, que foram coladas com o uso de Jet (Argh!!!! Odeio!!!). Como os aros vieram moldados em plástico recoberto de uma camada imitando alumínio a primeira coisa que o Jet fez foi dissolver parte da cobertura. Também como tinha algum 'flash' nas peças, ao raspar com o estilete acabou removendo mais da cobertura, o que torna inevitável uma pintura.
Roda de trás...
Roda da frente...
Aproveitei e retirei dos [i]sprues [/i]algumas peças cromadas que irei utilizar. Essas vou deixar do jeito que estão pois estão legais. No máximo vou dar um retoque mínimo de pincel nos locais onde as peças estavam presas nas árvores:
Por hora é isso!
:-)
Mas falando sério agora, o projeto pretende ser um diorama composto por dois kits: um garage-kit de resina de uma garota sexy da e2046 e uma bike da Academy, ambas na escala 1:8.
Eu estou com três garage-kits em andamento na bancada (outras garotas), mas estava tão fissurado nesses projeto que resolvi começar antes de acabar os outros. Rs... enfim, vocês modelistas sabem bem como é isso!
Hoje vou fazer apenas a apresentação dos modelos. Primeiro a bike da Academy, que permite duas versões -- speed (de corrida) ou bicicleta de passeio:
As instruções:
O sprue ainda dentro do saquinho com as partes da carroceria da bike:
Aqui as partes cromadas, pneus e cabos:
Agora aquela que será a "dona" da bicicleta e que também pode ser feita em versões diferentes: com os braços para cima ou para baixo. E em relação à roupa, a parte de cima pode ser com blusa ou topless e a parte de baixo com saia ou de biquini.
Aqui a caixa com o kit:
Aqui algumas das partes que permitem as conversões:
Decidi fazê-la com os bracinhos para baixo e sem blusa. Para que o modelo final não fique ofensivo, farei a parte de cima do biquini dela para tapar os seios em tecido. Abaixo um dry-run do modelo:
Frente...
E verso...
Comecei devagarzinho e não fiz muita coisa pois sentei em frente à bancada de trabalho quando já era quase 1 da manhã enquanto minha esposa navegava no iPad. A primeiro tarefa foi preparar os aros. Como em toda roda de kit veio separado em duas metades, que foram coladas com o uso de Jet (Argh!!!! Odeio!!!). Como os aros vieram moldados em plástico recoberto de uma camada imitando alumínio a primeira coisa que o Jet fez foi dissolver parte da cobertura. Também como tinha algum 'flash' nas peças, ao raspar com o estilete acabou removendo mais da cobertura, o que torna inevitável uma pintura.
Roda de trás...
Roda da frente...
Aproveitei e retirei dos [i]sprues [/i]algumas peças cromadas que irei utilizar. Essas vou deixar do jeito que estão pois estão legais. No máximo vou dar um retoque mínimo de pincel nos locais onde as peças estavam presas nas árvores:
Por hora é isso!
:-)
terça-feira, 3 de junho de 2014
Construindo uma guitarra - Parte 4
Não fiz muita coisa recentemente porque estou de 'resguardo'. Há exatamente três semanas fiz uma colecistectomia (retirada da vesícula) e o médico ainda não me deu alta completa, que só ocorre depois de 30 dias. Até lá não posso fazer esforços físicos, levantar peso, etc, portanto nem tenho passado na frente da porta da minha oficina.
Os últimos progressos que eu tinha feito antes da operação foi cortar o encaixe do braço no corpo da guitarra e tirei algumas fotos de como ficou. Primeiro o corpo com o encaixe ao lado do braço e da escala:
E aqui algumas fotos do conjunto todo:
E aqui as ferragens (hardware) que eu pretendo utilizar nessa guitarra...
Os últimos progressos que eu tinha feito antes da operação foi cortar o encaixe do braço no corpo da guitarra e tirei algumas fotos de como ficou. Primeiro o corpo com o encaixe ao lado do braço e da escala:
E aqui algumas fotos do conjunto todo:
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Construindo uma Gibson SG (réplica)
Eu sempre quis ter uma guitarra Gibson. Mas o fato é que elas custam muito caro no Brasil e eu não vejo justificativa em gastar 4 ou 5 mil Reais do meu dinheiro suado em uma guitarra só por causa de um nome escrito no headstock. Se eu ainda fosse um excelente guitarrista e tocasse todos os dias poderia ter uma mínima desculpa para fazer isso, mas não é o caso: sou um guitarrista eventual e bem abaixo do que se chamaria de medíocre.
Outro motivo para NÃO comprar uma guitarra Gibson é que verdade seja dita, os seus instrumentos novos não são tão grande coisa assim. Seja como for, eu tinha dito a mim mesmo que daqui por diante não compraria nunca mais nenhuma guitarra, e qualquer uma que fosse entrar na minha coleção seria a partir das minhas próprias mãos. Então por que não construir uma réplica?
Conheço alguns luthiers amadores que já fizeram suas próprias réplicas de Gibson, mas em geral o modelo escolhido é a Les Paul 59. No entanto, como não me sinto ainda a altura de partir para um projeto dessa grandeza, decidi ir por um caminho mais modesto e fazer uma SG. Além do mais tenho um certo carinho por esse modelo pois a primeira guitarra decente que eu tive, há uns 30 anos atrás, foi justamente uma Finch modelo SG que acabei vendendo para um amigo. Seja como for, como me falta uma SG na coleção...
Basicamente ela terá uma pintura vintage sunburst feita a partir de anilina aerografada sobre a madeira e depois coberta com algumas camadas de nitrocelulose e finamente polida. Os captadores serão dois P90. Eu espero conseguir atingir algo próximo da guitarra abaixo:
Uma "pegadinha" que eu pretendo inserir na minha construção é que o braço será parafusado e não colado, o que a tornará uma réplica facilmente identificável por qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da marca, já que a Gibson não faz guitarras com braço parafusado. O motivo de eu querer fazê-lo parafusado e não colado é porque eu já tenho um braço pronto que pretendo aproveitar e o mesmo é para ser parafusado.
Pois bem, comecei o trabalho a partir de um pedaço de prancha de cedro rosa (Spanish Cedar) que, apesar do nome, não é cedro mas sim um tipo de mogno. O corte do corpo foi simples mas a parte dos desbastes laterais (bevels) foi um pouco difícil principalmente porque eu nunca tinha feito esse tipo de corpo antes.
Em seguida eu trabalhei um pouco no braço. Esse foi muito fácil porque ele já estava pronto e foi comprado no eBay de um vendedor da China, e é esse aqui:
Há um tempo atrás eu tinha adquirido um logotipo da Gibson em acrílico, então eu escavei o headstock da guitarra, encaixei o logotipo no lugar, colei com cola epóxi preta e lixei tudo. Em seguida pintei o headstock todo de preto fosco com o aerógrafo e ficou assim:
E aqui uma foto do corpo e do braço juntos só pra ter uma idéia de como vai ficar:
Finalmente uma parte das peças que irei utilizar para a montagem. Ainda estou esperando chegar pelo correio os captadores Wilkinson P90 e o toggle switch para selecionar os captadores...
EDITADO
Eu tinha mencionado que todas as guitarras Gibson possuem braço colado (set-in) e que nunca existiu nenhuma Gibson com braço parafusado (bolt-on). Na realidade eu cometi um engano, pois não sabia até alguns dias atrás que existem sim, alguns modelos com essa característica de construção. Em 1979 houve um modelo denominado GK-55 baseado na Les Paul 1955 o qual teve uma produção bastante limitada (apenas 1000 guitarras foram produzidas). Em 1981 também, a Gibson lançou um modelo denominado 'Les Paul Artist' que igualmente vinha com o braço parafusado e que também não durou muito tempo. Finalmente existem ainda os modelos Marauder, Sonex e Invader. Acredito que tenham sido tentativas da empresa em competir no mercado de modelos populares, e é possível que existam ainda outros modelos não muito conhecidos e que fazem parte da família Gibson.
Aqui uma foto da Gibson GK-55...
A Gibson Les Paul Artist...
A Gibson Marauder...
A Gibson Sonex...
A Gibson Invader...
PS: Antes que alguém sequer pense nisso não vale mencionar as guitarras Epiphone, pois uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Embora a empresa Epiphone pertença à Gibson tratam-se de 'animais' totalmente diferentes. ;-)
Outro motivo para NÃO comprar uma guitarra Gibson é que verdade seja dita, os seus instrumentos novos não são tão grande coisa assim. Seja como for, eu tinha dito a mim mesmo que daqui por diante não compraria nunca mais nenhuma guitarra, e qualquer uma que fosse entrar na minha coleção seria a partir das minhas próprias mãos. Então por que não construir uma réplica?
Conheço alguns luthiers amadores que já fizeram suas próprias réplicas de Gibson, mas em geral o modelo escolhido é a Les Paul 59. No entanto, como não me sinto ainda a altura de partir para um projeto dessa grandeza, decidi ir por um caminho mais modesto e fazer uma SG. Além do mais tenho um certo carinho por esse modelo pois a primeira guitarra decente que eu tive, há uns 30 anos atrás, foi justamente uma Finch modelo SG que acabei vendendo para um amigo. Seja como for, como me falta uma SG na coleção...
Basicamente ela terá uma pintura vintage sunburst feita a partir de anilina aerografada sobre a madeira e depois coberta com algumas camadas de nitrocelulose e finamente polida. Os captadores serão dois P90. Eu espero conseguir atingir algo próximo da guitarra abaixo:
Uma "pegadinha" que eu pretendo inserir na minha construção é que o braço será parafusado e não colado, o que a tornará uma réplica facilmente identificável por qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da marca, já que a Gibson não faz guitarras com braço parafusado. O motivo de eu querer fazê-lo parafusado e não colado é porque eu já tenho um braço pronto que pretendo aproveitar e o mesmo é para ser parafusado.
Pois bem, comecei o trabalho a partir de um pedaço de prancha de cedro rosa (Spanish Cedar) que, apesar do nome, não é cedro mas sim um tipo de mogno. O corte do corpo foi simples mas a parte dos desbastes laterais (bevels) foi um pouco difícil principalmente porque eu nunca tinha feito esse tipo de corpo antes.
Em seguida eu trabalhei um pouco no braço. Esse foi muito fácil porque ele já estava pronto e foi comprado no eBay de um vendedor da China, e é esse aqui:
Há um tempo atrás eu tinha adquirido um logotipo da Gibson em acrílico, então eu escavei o headstock da guitarra, encaixei o logotipo no lugar, colei com cola epóxi preta e lixei tudo. Em seguida pintei o headstock todo de preto fosco com o aerógrafo e ficou assim:
E aqui uma foto do corpo e do braço juntos só pra ter uma idéia de como vai ficar:
Finalmente uma parte das peças que irei utilizar para a montagem. Ainda estou esperando chegar pelo correio os captadores Wilkinson P90 e o toggle switch para selecionar os captadores...
EDITADO
Eu tinha mencionado que todas as guitarras Gibson possuem braço colado (set-in) e que nunca existiu nenhuma Gibson com braço parafusado (bolt-on). Na realidade eu cometi um engano, pois não sabia até alguns dias atrás que existem sim, alguns modelos com essa característica de construção. Em 1979 houve um modelo denominado GK-55 baseado na Les Paul 1955 o qual teve uma produção bastante limitada (apenas 1000 guitarras foram produzidas). Em 1981 também, a Gibson lançou um modelo denominado 'Les Paul Artist' que igualmente vinha com o braço parafusado e que também não durou muito tempo. Finalmente existem ainda os modelos Marauder, Sonex e Invader. Acredito que tenham sido tentativas da empresa em competir no mercado de modelos populares, e é possível que existam ainda outros modelos não muito conhecidos e que fazem parte da família Gibson.
Aqui uma foto da Gibson GK-55...
A Gibson Les Paul Artist...
A Gibson Marauder...
A Gibson Sonex...
A Gibson Invader...
PS: Antes que alguém sequer pense nisso não vale mencionar as guitarras Epiphone, pois uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Embora a empresa Epiphone pertença à Gibson tratam-se de 'animais' totalmente diferentes. ;-)
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